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Não posso, querido! Hoje tenho futebol!

O jogo é delas: a hora e a vez do Futebol Feminino

Por Daniel dos Santos | Publicado: Sexta, 07 de Junho de 2019, 14h30 | Última atualização em Sexta, 07 de Junho de 2019, 15h05

A Copa do Mundo de Futebol feminino começa nesta sexta-feira (7), na França. A Seleção Brasileira estreia no domingo (9) contra a Jamaica, às 10h30. Apesar de o futebol ser o esporte mais popular do Brasil e do mundo, com impacto bilionário na economia e capaz de catapultar atletas a celebridades, a versão feminina da modalidade está bem longe de ter o mesmo prestígio. Sua prática esteve proibida no Brasil entre os anos de 1941 e 1979.

Realizada desde 1991 de quatro em quatro anos, assim como a versão masculina da competição, em 2019 será a primeira vez em que a emissora de maior audiência na TV brasileira se compromete a exibir todos os jogos do time brasileiro na Copa do Mundo de Futebol Feminino.

“Ah, mas a qualidade do futebol feminino...”

O avanço a ser comemorado também destaca o quanto ele vem com atraso. Pois isso não se justifica por uma suposta falta de qualidades das nossas atletas, seja por desempenho coletivo ou individual.

Apesar dos clubes brasileiros não destinarem recursos satisfatórios para a manutenção de times femininos, profissionais, o time de brasileiras venceu sete vezes a Copa América e três vezes os Jogos Pan-Americanos. E embora nunca tenha vencido os títulos nas duas principais competições internacionais, a equipe brasileira já foi finalista nas Olimpíadas em 2004 e em 2008, enquanto na Copa do Mundo já conquistou o 3° lugar em 1999 e o vice-campeonato em 2007.

Em desempenho individual, o Brasil pode se orgulhar de ter a maior futebolista da história e que continua em atividade pela Seleção: Marta. A atleta revelada pelo Vasco da Gama venceu o prêmio de melhor jogadora do mundo pela Fifa seis vezes, e com 101 gols, é a maior artilheira da Seleção Brasileira mesmo comparando ao time masculino.

Veja a programação do Brasil na Copa:

9 de junho (domingo) - Brasil x Jamaica - Stade des Alpes, Grenoble - 10h30 (horário de Brasília);

13 de junho (quinta-feira) - Brasil x Austrália - Stade de la Mosson, Montpellier - 13h (horário de Brasília);

18 de junho (terça-feira) - Brasil x Itália - Stade du Hainaut, Valenciennes - 16h (horário de Brasília)

Entrevista com a pesquisadora em Futebol Feminino

A antropóloga Mariane Pisani é professora do Curso de Ciências Sociais na Universidade Federal do Tocantins (UFT), em Tocantinópolis. Mariane pesquisa o futebol feminino desde sua graduação, mestrado e doutorado com o objetivo de compreender como os Marcadores Sociais da Diferença, como gênero, raça, sexualidade e classe - permeiam a prática futebolística de mulheres, orientando a construção de corpos e tornando possível a construção de diversas redes de afetividade entre elas. Sua tese pode ser acessada aqui. Sua tese também gerou um documentário curta-metragem disponível aqui.

Aproveitamos para fazer uma breve entrevista com ela sobre o assunto.

1 É possível traçar um perfil das mulheres jogadoras de futebol?
MARIANE PISANI - É difícil traçar um perfil absoluto do perfil das mulheres jogadoras. Mas em linhas gerais, são mulheres negras e provenientes das classes populares.

2 Por que outros esportes são valorizados nas categorias femininas enquanto o futebol, que é o esporte mais popular, é preterido?
MP - Por conta de toda história do futebol no Brasil. Está na concepção do início da modalidade: um esporte pensado por homens, feitos por e para eles. Há uma concepção de masculinidade atrelada à modalidade. Uma matriz que acaba por definir, erroneamente, que o futebol é um esporte "masculino", logo mulheres não se encaixariam na modalidade.

3 Prestes a começar a copa do mundo de futebol feminino, você sente que a situação da modalidade está mudando?
MP - A situação da modalidade muda sempre às vésperas de grandes competições como a Copa do Mundo. Contudo, muitas vezes, logo após esses grandes campeonatos, a modalidade acaba caindo no ostracismo. Não por parte das atletas, que continuam competindo em campeonatos estaduais e nacionais, mas por parte da mídia esportiva que deixa a cobertura da modalidade em segundo plano.

O Futebol Feminino na UFT

Para incentivar a prática do futebol pelas mulheres, a UFT tem iniciativas nos Câmpus de Arraias e Tocantinópolis.

Em Arraias há o projeto de extensão "Futebol não tem gênero, tem craques", uma iniciativa dos professores Tony de Jesus e Valdirene de Jesus, que trabalha com a comunidade local desde 2012 e hoje atende cerca de 30 meninas.

 

Enquanto que em Tocantinópolis, há o projeto “O futebol é coisa de quem quiser”, coordenado pelo professor do curso de Educação Física, Adriano Lopes. Desde 2018, o projeto atende cerca de 20 meninas, com treinos duas vezes por semana.

Uma das estudantes da UFT que também é atleta no projeto em Tocantinópolis é Mikaella Morais. Ela é do Curso de Educação Física e lateral-esquerda no time TOC Feminino. Segundo a atleta-estudante, há dificuldades, mas também reconhecimento por parte da comunidade local que acompanha os torneios que são realizados na cidade.

“Ainda sinto bastante dificuldade no geral, por preconceito mesmo. Porque as pessoas acham que futebol feminino não é bom pelo nível técnico e tático. Pela falta de apoio para manter os times femininos. Mas como atleta eu me sinto bem, pois sinto que sou reconhecida pelo o que faço quando estou jogando e ouço pelas ruas que algumas crianças se espelham em mim e no meu time”.

Mas afinal, qual o sentimento de Mikaella pelo futebol?

*Colaboraram para a matéria Ana Paula de Moraes e Mayara Ferreira

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