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MANTENHA A ROTINA!

Psicólogo clínico Renato Lacerda dá dicas para preservar a saúde mental no período de isolamento

Fomos assolados por uma pandemia e, desde então, muito se falou sobre se manter isolado socialmente, para preservarmos nossa integridade física e o bem-estar social. Se, até pouco tempo, ouvíamos sobre a importância de práticas ao ar livre, sair com os amigos e se "desconectar", agora, mais do que nunca, precisamos ficar conectados, mas em casa. Se organizar e arrumar novas maneiras de fazer as coisas, se abstendo da chuva de informações das redes, pode ser uma forma de relaxar e lidar com essa nova situação.

Confira a entrevista de Loara Tomaz com o psicólogo clínico Renato Lacerda, exclusivamente para o De Casa para Casa.

De Casa para Casa: Quais são os efeitos psicológicos mais comuns durante e depois de um distanciamento social?

Renato Oliveira: Vários. Quando falamos de um relacionamento, devemos priorizar as três individualidades: a individualidade A, a individualidade B e a individualidade de um "casal". A partir do momento em que se vive apenas uma das individualidades, o indivíduo se torna adoentado. O distanciamento das pessoas queridas, bem como a aproximação em excesso com os familiares têm causado diversos sintomas depressivos e ansiosos e algumas peculiaridades com pacientes esquizofrênicos ou persecutórios (pessoas que acreditam estar sendo perseguidas) que de alguma forma sempre se prepararam para isso (o isolamento), mas agora, isso está sendo um gatilho muito grande pra eles, então é um pouco complicado.

DCPC: De que forma pessoas que já possuem algum distúrbio podem aliviar esse sofrimento durante o período de quarentena?
Renato: Então, o ser humano e o trabalho são uma coisa só. É importante manter uma rotina com tarefas e padrões a serem estabelecidos, além de hábitos saudáveis como exercícios físicos e meditação. Há muitos pacientes que não podem realizar essas atividades mas há muitas outras atividades terapêuticas, mas, primariamente, exercícios físicos auxiliam muito nesse momento.

DCPC: No meio de tantas informações das redes sociais e emissoras, como podemos lidar com o surgimento de pensamentos negativos?
Renato: Justamente evitando o excesso de informações. O meu conselho é que se mantenha três fontes de informação confiáveis e que se evite todo o resto. Isso vai fazer com que a gente veja um pouco menos de fake news e que a gente não fique martelando aquela informação constantemente na nossa cabeça. Então, quando eu falo de uma rotina um pouco mais saudável e sobre exercitar outras tarefas e atividades, eu falo sobre se distrair, porque os jornais vão continuar falando sobre isso

DCPC: Se tratando dos nossos amigos e familiares que estão no grupo de risco, de que forma podemos confortá-los?
Renato: Os trazendo para dentro da nossa rotina. Digamos que você tenha três amigos que vc goste mais, é natural que pelo menos uma vez por semana você mantenha contato com essas pessoas. O whatsapp se atualizou para fazer mais de uma chamada por vez e há diversos programas que já faziam isso, não há o que se discutir, as pessoas de grupo de risco devem se manter em casa afastado de outras pessoas mas nada impede que a pessoa tenha alguma espécie de convívio social por meio da internet.

DCPC: Como podemos explicar para as crianças a importância dessa permanência em casa?
Renato: Com crianças é sempre mais complicado, justamente por não terem tempo de vida acabam por serem mais imediatistas e requerem sua dose de diversão diária. Sempre foi necessário o distanciamento do computador e das redes sociais, mas agora mais do que nunca devido às diversas notícias alarmantes e vídeos com informações falsas. Para tal, se faz necessário o convívio mais próximo com elas e realizar atividades nas quais elas possam aderir

DCPC: Que atividades seriam essas?
Renato: Bem, vídeochamadas com os colegas de escola, brincadeiras em casa...há diversos experimentos de ciências na internet que podem ser replicados com poucos materiais. Também é importante é estimulá-los nos três âmbitos da saúde: social- mantendo a relação com os amigos e colegas e evitando o distanciamento destas relações por meio das vídeochamadas, biológica- estimulando exercícios e alimentação saudáveis, e mental- evitar que pensem somente neste problema do Covid, afinal, não ter o que fazer pode ser tanto a chave como a jaula para uma pessoa. Existe uma interpretação de impotência diante ao fato e outra de desresponsabilização, onde se foca justamente no que suas energias poderiam ser mais úteis.
Digamos que você possua um problema no qual você não tenha formas de resolvê-lo, você pode tomar a partir daí, dois caminhos mais comuns, um, de sentir-se diminuído quanto ao problema e outro é de entender que não cabe a você resolvê-lo e passar a focar em outras atividades.

DCPC: Quais orientações para o cuidado com a saúde mental são importantes para os profissionais que estão na linha de frente do combate ao coronavírus?
Renato: Bem, aplaudo aos mais diversos profissionais que estão na linha de frente e minhas orientações são as mesmas que fiz para as crianças anteriormente, cuidar de suas três saúdes pois elas estão intimamente ligadas (no momento que uma regride, as outras também irão regredir) e evitar se expor demais às informações sobre o Covid. Ter no máximo 3 fontes confiáveis para se informar.

DCPC: Você, como psicólogo, o que mudou na sua rotina?
Renato: Hoje ofereço atendimentos virtuais, saí da clínica presencial momentaneamente e minha rotina é de tentar manter minha rotina. Sempre tento criar cada vez mais e, hoje, tenho que ser cada vez mais criativo como profissional liberal. Tenho escrito meu livro e mantido meus atendimentos, fora isto, feito meus exercícios e mantido contato com os mais próximos Mas é sempre difícil mudar a rotina, é um exercício constante que tem me trazido bons resultados

 

 

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