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Dia da Poesia

O Dia, os séculos e a permanência da poesia

Por Paulo Aires | Publicado: Segunda, 20 de Março de 2017, 17h09 | Última atualização em Terça, 21 de Março de 2017, 09h44

O tocantinense Pedro Tierra costuma definir a poesia como “o escândalo da palavra”, a subversão da linguagem que comove no sentido de mover com; de suscitar em nós algum sentimento que em determinado momento da vida nos possuiu. Como forma de arte a poesia antecede à escrita, resiste à usura do tempo e reafirma sua permanência na voz humana.

O Dia Mundial da Poesia, 21 de março, foi criado na XXX Conferência Geral da Unesco, em 16 de novembro de 1999. O objetivo deste dia é promover uma reflexão acerca do universo da leitura, da escrita, da publicação e o exercício da poesia mundo afora.

Assim, podemos pensar em autores do mundo inteiro: na perene Odisseia, de Homero; na voz contida do japonês Matsuo Bashō; no Inferno, Purgatório e Paraíso, de Dante Alighieri; na incansável sensibilidade de Mia Couto; no canto definitivo de José Martí; no vigor dos versos de Mariana Ianelli, poeta da condição humana; entre tantas e tantos.

 

Vozes daqui

A Universidade Federal do Tocantins (UFT), atenta às questões culturais e ao mundo das artes, recorda este dia cumprimentando o expressivo número de poetas em seu quadro de servidores, técnico-administrativos, professores, alunos, espalhados por seus sete câmpus.

Kátia Rose Pinho, professora do colegiado de Letras/UFT e poeta, um livro publicado, considera impossível falar sobre Poesia, pois precisaria olhar de fora: “Como olhar de fora para algo que está entranhado, amalgamado com o que se é? Por outro lado, se pensa Poesia como fazer, fazer criativo, isto é, a dinâmica que não nos diz outra coisa se não o próprio viver”, e acrescenta a voz de Manoel de Barros: “Poesia – s. f. – raiz de água larga no rosto da noite” na qual precisamos mergulhar para sentir o sabor.”

Estudante de Jornalismo/UFT e vocalista de uma banda de rock, Luís Felipe Claudio Gomes, entende que é difícil mensurar a importância da poesia em sua vida: “Confesso que entrou tarde na minha vida, mas segue comigo desde que bateu à minha porta. Gosto de pensar que está em todo mundo. Particularmente, a tenho como refúgio, um grito escrito, seja ele de raiva, amor ou dor, pois a poesia é o mais democrático dos textos, aceita tudo.” Gomes tem um perfil no Medium, plataforma digital, onde publica seus poemas.

A poeta e também professora da UFT, Lia Testa, várias obras publicadas, conta que um dia foi perguntada se a poesia é importante para vida dela, e discorre que “de pronto me ocorreu a palavra “deslocamento”, mas o que esta palavra tem a ver com a importância da poesia na minha vida? Deslocar é desconjuntar, desarticular, mudar algo e, esse “algo”, para mim, é a linguagem, que deve ser desarticulada dos seus automatismos (do seus usos cotidianos), consequentemente, a poeta também será “desarticulada”, já que a escrita passa pelo corpo”, afirma Lia.

Mais poetas do nosso tempo

Outra poeta, docente da UFT, Glória Azevedo costuma pensar que a poesia está tão presente em seu cotidiano que não sabe como é estar sem. Para ela, a poesia é um estado de espírito que está na forma como vê as coisas, como as sente. “Poesia para mim é encanto, dizer as coisas com sentido novo, descobrir novas cores e olhares nas coisas simples e comuns. A poesia está na música, nos cheiros, na paisagem, no amor, na memória e no presente cotidiano.”

Glória acrescenta ainda que a poesia transmuda-se em palavra, constrói, tanto para quem escreve quanto para quem lê o poema, “uma nova possibilidade de vida sempre mais terna, mais leve, mais bela, mais inútil e mais política da vida”, conclui a poeta que mantém um blog, Margens Literárias, onde publica seus poemas.

De longa trajetória, o poeta e jornalista Gilson Cavalcante, há muito radicado em Palmas, assume a poesia como uma profissão de fé: “A poesia, pra mim, é uma terapia. Desde tenra idade, aprendi, com o meu pai, a necessidade da poesia. Minha ligação com a poesia é visceral. Acho que a poesia, segundo o professor doutor José Fernandes, serve para o humano elevar-se ao sublime, tanto relacionado ao divino, como, sobretudo, ao superlativo do belo”,

Confissão borgeana

Nesta data, é oportuno lembrar o que disse um grande leitor, um poeta que gastou os olhos com a existência das palavras, palavras convertidas nessa grande arte comprometida com a beleza e com a condição humana, a poesia.

Esta confissão de Jorge Luis Borges está no livro “Esse ofício do verso”, quando ele declara: “Muitas coisas aconteceram comigo, como a todos os homens. Tirei prazer de muitas coisas – de nadar, de escrever, de contemplar um nascer do sol ou um crepúsculo, de estar apaixonado e assim por diante. Mas o fato central de minha vida foi a existência das palavras e a possibilidade de tecê-las em poesia.”

A poesia segue porque a vida é composta de dramas e sonhos. Viva a poesia!

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